Linhas Teóricas

Sigmund Freud

Sigmund Freud, nascido em 1856 e falecido em 1939, foi o criador da Psicanálise. Vindo da medicina, onde trabalhou como neurologista, descobriu na psicopatologia, através de seu contato com o famoso Dr. Charcot, o sentido para sua existência. O contato continuado com seus pacientes, em especial as histéricas, associado a sua metodologia científica desenvolvida quando ainda era um estudante de medicina, bem como sua perspicácia e intensa capacidade laborativa, contribuíram de forma contundente para o desenvolvimento de suas teorias sobre os modos de funcionamento do psiquismo humano, culminando na elaboração de um novo ramo do conhecimento humano, ao qual deu o nome de Psicanálise.
Em 1910, juntamente com outros colegas interessados e estudiosos dessa matéria, criou a Associação Psicanalítica Internacional (IPA) que, dentre algumas de suas atribuições, seria responsável pelo ensino e transmissão do conhecimento psicanalítico, bem como a regulamentação destes processos juntos as Sociedades Psicanalítica que iriam compor a totalidade de seus membros.

Texto elaborado por Tiago Julio Bonfada.

Melanie Klein

A teoria kleiniana tem como base a segunda teoria dos instintos de Freud e, enquanto uma abordagem desenvolvimentista, leva em consideração os aspectos mais primitivos do ser humano.

No Instituto de Ensino da SPRJ contamos com dois cursos sobre a obra de Melanie Klein, o primeiro é dedicado a artigos básicos de Klein e outros autores, abordando conceitos fundamentais como fantasia inconsciente, projeção e introjeção, splitting, identificação projetiva, transferência, contratransferencia e outros mecanismos. 

Texto elaborado por Dagmar D’Angelo, Débora Unikowski, Marisa Monteiro e Rosely Lerner.

Donald Winnicott

Winnicott é um autor que, a partir de sua clínica como pediatra, lançou um olhar sobre o desenvolvimento emocional do sujeito desde seus primórdios. Criou, assim, uma consistente teoria, que remete a uma visão profunda da constituição humana.

A SPRJ, em seu curso sobre o autor, pretende trilhar esse caminho e suas vicissitudes, enfatizando a capacidade do ser de seguir criativamente para a vida adulta.

Percorre, então, textos que abordam “a preocupação materna primária”, a relação do bebê com o ambiente, sua dependência e gradativa independência, suas possibilidades de transitar, brincar e criar.

Coteja esse amadurecimento satisfatório com as distorções possíveis nesse trajeto e suas consequências, retratando a complexidade da vida humana.

Aponta para uma clínica que traz diferenças em seu manejo técnico, acolhendo o sujeito em sua potência possível.

Texto elaborado por Eliana Atiê.

Sándor Ferenczi

Por que Ferenczi tem sido um dos autores mais valorizados nos últimos anos? Quais são suas principais contribuições para a psicanálise contemporânea? Considerado o principal interlocutor de Freud, por que foi vítima, por décadas, do silêncio da morte? Essas e outras questões são estudadas nos seminários do curso de Formação do IEP sobre esse autor conhecido como um especialista de casos considerados inanalisáveis pela psicanálise clássica.

Ferenczi atendia pacientes que apresentavam sofrimentos mais primários e mais graves relacionados às vivências precoces traumáticas que eram encenadas na relação transferencial.

Texto elaborado por Mariangela Relvas.

Jacques Lacan

Os seminários de Jacques Lacan são realizados no último ano da Formação Analítica da SPRJ.

São 10 seminários que visam introduzir, para o membro em Formação, os conceitos fundamentais da obra de Lacan: o Estádio do Espelho; o inconsciente estruturado como linguagem (Real, Simbólico e Imaginário); a diferença entre demanda e desejo; objeto pequeno a.

Os seminários articulam a teoria com a clínica, demonstrando como a clínica de Lacan trabalha a questão dos afetos, o início e o final da análise.

Texto elaborado por Eliana Mello e Tânia Leão Pedrozo.

Bion

W. R. Bion (1897-1979) nasceu em Muttra, na Índia, país em que viveu até os oito anos, quando foi enviado pela família inglesa para um colégio interno em Londres. Após lutar na I Guerra Mundial, tendo inclusive sido condecorado, Bion estudou História em Oxford e, mais tarde, Medicina na University College London. Ligou-se à área psiquiátrica da Tavistock Clinic e lá começou sua formação em psicoterapia psicanalítica, assim como uma análise com John Rickman. Essa análise foi interrompida pela II Guerra Mundial, na qual Bion atuou em hospitais militares junto a soldados traumatizados. Com base nessas experiências e de volta à Tavistock Clinic depois da II Guerra, Bion debruçou-se sobre o estudo das dinâmicas grupais. Suas contribuições à compreensão sobre os grupos configuram-se como o primeiro contato direto que os candidatos do IEP/SPRJ estabelecem com a obra de Bion.

Texto elaborado por Bianca Bergamo Savietto e Léa Lemgruber.

HEINZ KOHUT

Nas comemorações dos 70 anos de fundação da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, o Instituto de Ensino da Psicanálise tem orgulho de dizer que desde 1985, a grade semestral de Seminários regulares inclui os trabalhos de HEINZ KOHUT. Reafirmando a participação dos ideais precursores dos Membros do Corpo Docente de então, em uma vanguarda da Psicologia Psicanalítica do Self no âmbito de Brasil.
Quando HEINZ KOHUT esteve em Buenos Aires em 1966 para o Congresso Pan-Americano de Psicanálise, ao retornar para USA, moveu-se para o Rio de Janeiro, ciceroneado por Luiz G. Dahlheim, Presidente da SPRJ, e, ao chegar, proferiu palestra no Auditório do Hospital Pinel (RJ). 

Texto elaborado por Ronaldo Victer.

 

André Green

Andre Green tornou-se um dos maiores pensadores da psicanálise contemporânea e alguns de seus trabalhos são estudados em nosso Instituto, no currículo do curso teórico da formação psicanalítica da SPRJ. Sua obra é traduzida em mais de dez línguas e foi desenhada não só por sua história pessoal, por sua capacidade de aprender o humano através de sua experiência clínica com seus pacientes, como também pela literatura -Shakespeare, Proust, Conrad, Borges, Henry James entre outros.
A psicanálise contemporânea e seus autores no qual Green é dos mais expressivos surgiu para dar conta da psicanálise em nossa época. 

Texto elaborado por Vera Márcia Ramos.

Sigmund Freud

Nascido em 1856 e falecido em 1939, foi o criador da Psicanálise. Vindo da medicina, onde trabalhou como neurologista, descobriu na psicopatologia, através de seu contato com o famoso Dr. Charcot, o sentido para sua existência. O contato continuado com seus pacientes, em especial as histéricas, associado a sua metodologia científica desenvolvida quando ainda era um estudante de medicina, bem como sua perspicácia e intensa capacidade laborativa, contribuíram de forma contundente para o desenvolvimento de suas teorias sobre os modos de funcionamento do psiquismo humano, culminando na elaboração de um novo ramo do conhecimento humano, ao qual deu o nome de Psicanálise.

Em 1910, juntamente com outros colegas interessados e estudiosos dessa matéria, criou a Associação Psicanalítica Internacional (IPA) que, dentre algumas de suas atribuições, seria responsável pelo ensino e transmissão do conhecimento psicanalítico, bem como a regulamentação destes processos juntos as Sociedades Psicanalítica que iriam compor a totalidade de seus membros.

A Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ) é uma dessas sociedades participantes da IPA, e no ano de 2025 está completando seus 70 anos, ou seja, foi formada em 1955. Desde seu nascimento a SPRJ, também conhecida como Rio 1, vem transmitindo a psicanálise e produzindo novos psicanalistas através de um currículo de estudos elaborado visando a introdução as obras de autores psicanalíticos renomados, com o intuito de proporcionar uma formação mais eclética possível aos seus candidatos. Porém, para compreender os autores pós-freudianos, pensamos que seja de fundamental importância desenvolvermos um amplo estudo sobre as bases fundantes dessa ciência, ou seja, sobre as contribuições de Sigmund Freud.

Durante a formação teórica da SPRJ, que tem a duração de dez semestres, quatro deles serão destinados aos estudos dos principais artigos e livros de Freud. Será uma imersão não somente em sua obra, mas também em sua própria vida, possibilitando contrapontos entre suas experiências pessoais, seu modo de pensar e sua maneira de construir uma teoria viva e pulsante.

Para isso os seminários terão início com textos freudianos pré psicanalíticos, como por exemplo, o livro que escreveu com Breuer: Estudos Sobre a Histeria, dentre outros, que tratam de compreender suas ideias iniciais sobre um novo método de tratamento para neuroses que estava desenvolvendo.

“O recalque é a pedra angular sobre o qual repousa todo conhecimento psicanalítico.” Palavras de Freud para expressar a importância deste mecanismo de defesa e toda a implicação que sua compreensão, que envolve o entendimento do Complexo de Édipo, traz para a ampliação dos efeitos terapêuticos que a Psicanálise possibilitava. Assim, serão estudadas obras inaugurais, como a “Interpretação dos Sonhos”, e na sequência seu primeiro é importante desdobramento: ”Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”.

Os seminários são pensados de maneira a alinhavar a teoria com a clínica, ajudando o candidato o desenvolvimento do pensar psicanalítico. O estudo da obra precursora de Freud é sempre atravessado por sua prática, com seus diversos casos clínicos, mas também estende-se para outras áreas do conhecimento, que permitem pensar outras extensões da Psicanálise, como seu livro “Totem e Tabu”, que também será objeto de estudo.

Durante sua vida Freud realizou modificações significativas em sua teoria, na busca de permitir um entendimento mais amplo sobre o psiquismo, possibilitando o tratamento de diferentes patologias, incluindo as narcísicas. Se pudéssemos dividir sua obra em dois momentos, o primeiro seria associado ao Édipo, indo até meados de 1914. O segundo seria associado a Narciso. Os últimos dois semestres dos estudos de Freud durante a formação são dedicados a este segundo momento, partindo de seu artigo “Introdução ao Narcisimo” dentre outros, atravessando o início da chamada Segunda Tópica nos anos de 1920, com seus famosos trabalhos “Além do Princípio do Prazer” e “O Ego e o Id”.

Os últimos seminários versam sobre seus últimos trabalhos como “Construções em Análise” e “Análise Terminável e Interminável”, e preparam terreno para pensadores pós-freudianos e desenvolvimentos teóricos ulteriores.

 

Melaine Klein

A teoria kleiniana tem como base a segunda teoria dos instintos de Freud e, enquanto uma abordagem desenvolvimentista, leva em consideração os aspectos mais primitivos do ser humano.

No Instituto de Ensino da SPRJ contamos com dois cursos sobre a obra de Melanie Klein, o primeiro é dedicado a artigos básicos de Klein e outros autores, abordando conceitos fundamentais como fantasia inconsciente, projeção e introjeção, splitting, identificação projetiva, transferência, contratransferencia e outros mecanismos. Enquanto o segundo aprofunda, ainda mais, peculiarides da teoria e problemas da técnica psicanalítica.

Além desses dois cursos ministrados no programa curricular, oferecemos um Grupo de Estudos, vinculado à Comissão Científica e denominado “Pensando a técnica”, para quem deseja continuar estudando autores kleinianos, após a Formação no Instituto.

Com ênfase no trabalho clínico, vemos como ajudar nossos pacientes a se tornarem conscientes e responsáveis pelo que sentem, pensam ou fazem, chegando assim a uma possibilidade maior de integração do ego. Vários autores enfatizam uma busca dessa integração e a técnica de como alcançar o paciente através de um encontro emocional baseado no binômio transferência/ contratransferência até chegar ao insight. Privilegiamos igualmente o conceito de organização patológica da personalidade, com o objetivo de atingir, de fato, uma mudança psíquica.

O final de cada análise, dentro da teoria kleiniana, pressupõe uma boa elaboração do conflito edípico, uma capacidade de reparação de seus objetos e uma sólida capacidade de se manter na realidade. O indivíduo passa a distinguir o que é próprio e o que é do outro, fazendo melhor uso de suas potencialidades emocionais, o que propicia um melhor relacionamento com o outro no mundo externo.

Sándor Ferenczi

Por que Ferenczi tem sido um dos autores mais valorizados nos últimos anos? Quais são suas principais contribuições para a psicanálise contemporânea? Considerado o principal interlocutor de Freud, por que foi vítima, por décadas, do silêncio da morte? Essas e outras questões são estudadas nos seminários do curso de Formação do IEP sobre esse autor conhecido como um especialista de casos considerados inanalisáveis pela psicanálise clássica.

Ferenczi atendia pacientes que apresentavam sofrimentos mais primários e mais graves relacionados às vivências precoces traumáticas que eram encenadas na relação transferencial. Essas impressões sensíveis se apresentavam em estado bruto relacionadas a uma dor sem conteúdo de representação e a uma sensação de desconexão. A grande dificuldade desses pacientes de seguir a regra fundamental da Psicanálise, a associação livre, levou Ferenczi a se voltar para a percepção dos afetos em curso, a valorizar a contratransferência e a pessoa do analista.

Freud se referia a um trauma articulado em dois tempos, sendo o segundo tempo aquele que confere o efeito traumático, mas Ferenczi vai tratar do trauma que congela o tempo e o anula, tornando impossível qualquer elaboração. Nesse caso, o que há é uma impossibilidade de acesso ao simbólico pois, “nada que se assemelhe à morte jamais pode ter sido experimentado” (Ferenczi, 1932).

Confusão de Línguas entre Adultos e Crianças (1933), objeto de discórdia com Freud, é considerado um artigo clássico da Psicanálise que consta no Internacional Psychoanalycal Journal como um dos mais citados nos últimos vinte anos; possuindo mais de trezentas citações. Portanto, o estudo de sua obra se justifica pela importância de suas contribuições à Psicanálise atual no que diz respeito à clínica, aos processos de subjetivação e à política.

W. R. Bion

W. R. Bion (1897-1979) nasceu em Muttra, na Índia, país em que viveu até os oito anos, quando foi enviado pela família inglesa para um colégio interno em Londres. Após lutar na I Guerra Mundial, tendo inclusive sido condecorado, Bion estudou História em Oxford e, mais tarde, Medicina na University College London. Ligou-se à área psiquiátrica da Tavistock Clinic e lá começou sua formação em psicoterapia psicanalítica, assim como uma análise com John Rickman. Essa análise foi interrompida pela II Guerra Mundial, na qual Bion atuou em hospitais militares junto a soldados traumatizados. Com base nessas experiências e de volta à Tavistock Clinic depois da II Guerra, Bion debruçou-se sobre o estudo das dinâmicas grupais. Suas contribuições à compreensão sobre os grupos configuram-se como o primeiro contato direto que os candidatos do IEP/SPRJ estabelecem com a obra de Bion.

O pensamento e a obra desse autor estão enraizados nos trabalhos de Freud e de Klein – com quem Bion fez uma segunda análise – ao mesmo tempo que expandem e aprofundam conceitos centrais do campo psicanalítico, como os de identificação projetiva e contratransferência, além de introduzirem noções inestimáveis como a de continente-contido (♀♂) e a de função alfa / reverie. Bion constrói seu grande arcabouço teórico na década de sessenta, e o programa de seminários teóricos do IEP contempla, em um primeiro tempo, os principais trabalhos elaborados pelo autor nesse período, enfatizando suas considerações sobre os estados psicóticos em um segundo tempo.

Para Bion, é fundamental que o analista seja capaz de manter um estado de mente que o possibilite conter e transformar o incognoscível que caracteriza os processos mentais. Isso demanda que ele possa suportar a incerteza, o mistério e a dúvida (negative capability), ancorando-se no presente do vínculo emocional, abrindo mão de memória e desejo, dando ensejo, assim, ao desenvolvimento do aparelho de pensar – englobando sonhar, sentir e pensar.

Dois grandes autores contemporâneos cujos trabalhos se apoiam no pensamento de Bion também são estudados pelos candidatos do IEP: Antonino Ferro e Thomas Ogden. Ambos ressaltam que, com Bion, o foco da teoria e da prática psicanalítica se desloca do conteúdo simbólico dos pensamentos e sonhos para o próprio processo de pensar e sonhar.

HEINZ KOHUT

Nas comemorações dos 70 anos de fundação da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, o Instituto de Ensino da Psicanálise tem orgulho de dizer que desde 1985, a grade semestral de Seminários regulares inclui os trabalhos de HEINZ KOHUT. Reafirmando a participação dos ideais precursores dos Membros do Corpo Docente de então, em uma vanguarda da Psicologia Psicanalítica do Self no âmbito de Brasil.

Quando HEINZ KOHUT esteve em Buenos Aires em 1966 para o Congresso Pan-Americano de Psicanálise, ao retornar para USA, moveu-se para o Rio de Janeiro, ciceroneado por Luiz G. Dahlheim, Presidente da SPRJ, e, ao chegar, proferiu palestra no Auditório do Hospital Pinel (RJ). Todos os Membros se mobilizaram para o evento psicanalítico e científico, daqueles dias no Rio de Janeiro.

A obra de HEINZ KOHUT é bem maior que nesta síntese comemorativa poderia conter. Entretanto, conforme autores, a primeira contribuição verdadeiramente científica de HEINZ KOHUT foi seu artigo de 1959 sobre empatia, intitulado Introspecção, Empatia e Psicanálise: Um Exame da Relação entre Modo de Observação e Teoria. Por que empatia teve tanta relevância? Porque se relaciona com a própria fundação da psicanálise, ou seja, a capacidade de um ser humano potencialmente obter acesso aos estados psicológicos de outro ser humano. A partir daí, pôde conceber a empatia como método que define o campo da Psicanálise: método introspectivo-empático. Por este método, os fenômenos pelos quais podem ser abordados por meio da empatia são chamados de psicológicos, relacionam-se à vida interior do homem, e aqueles que não podem ser abordados pela empatia não são psicológicos, são fenômenos físicos, logo, devem ser abordados com o equipamento sensorial.

A abordagem de HEINZ KOHUT em torno do narcisismo, aprofundou-se com o artigo Formas e Transformações do Narcisismo de 1966, algo diferente da teoria clássica, postulou que a libido narcísica e a libido objetal têm origens independentes e linhas de desenvolvimento distintas. Argumentando que a maturidade não resulta de uma conversão da libido narcísica em libido objetal, mas sim, pelo amadurecimento de estruturas narcísicas, das transformações do narcisismo, paralelamente ao amadurecimento da libido objetal e ao desenvolvimento de investimentos objetais maduros.

Com o título de A Análise do Self (1971), HEINZ KOHUT estabeleceu diferenciações de patologias que resulta de distorção ou de parada no desenvolvimento do narcisismo, da patologia resultante de fixação pulsional e conflitos (neuroses), assim distinguir, também, as transferências que resultam das respectivas áreas de patologia. Descreveu as transferências narcísicas, chamadas mais tarde de transferências selfobjetais. Posteriormente, ofereceu um esboço do desenvolvimento do self e das estruturas que o compõem, elaborando o conceito de selfobjeto (inclusive, propondo-o como neologismo do idioma inglês), também, definindo o seu papel no desenvolvimento normal e na psicopatologia.

Em 1977, HEINZ KOHUT avançou para além da teoria clássica das pulsões, através do livro A Restauração do Self, consubstanciando a teorização sobre a organização do desenvolvimento do Self e de suas necessidades motivacionais oriundas dos selfobjetos, e os perigos que ameaçam essa organização e coesão, fora da teoria das pulsões e adversidades. HEINZ KOHUT engendrou por novo modelo de mente de Self Bipolar (polo especular e polo idealizante), realinhando valor de self experience para a compreensão da mente e ultrapassando a teoria do modelo estrutural tripartido da teoria clássica (Ego, Id e Superego). Porém, isso trouxe inúmeras críticas contra essas propostas.

Embora a Obra de HEINZ KOHUT possua muitos mais artigos do que relacionamos aqui, houve uma publicação póstuma em 1984 de Como a Análise Cura? Com temas extremamente instigantes, tanto no sentido clínico quanto epistemológico. Temas como a ansiedade de castração, a necessidade de selfobjetos, a empatia, o “compreender” e o “explicar” no processo curativo. Além de ter acrescentado a transferência gemelar e às chamadas necessidades de alter-ego. No fundo, representam fontes de pesquisas psicanalíticas, reatualizadas do Século XXI, como a compreensão do afeto, enquanto comunicação e sintonia afetiva; também, quanto a melhor compreensão sobre empatia, em sua estrutura e no processo terapêutico. Além das aproximações teóricas entre Psicologia do Self e teorias do conflito e de relações objetais.

ANDRÉ GREEN

Andre Green tornou-se um dos maiores pensadores da psicanálise contemporânea e alguns de seus trabalhos são estudados em nosso Instituto, no currículo do curso teórico da formação psicanalítica da SPRJ. Sua obra é traduzida em mais de dez línguas e foi desenhada não só por sua história pessoal, por sua capacidade de aprender o humano através de sua experiência clínica com seus pacientes, como também pela literatura -Shakespeare, Proust, Conrad, Borges, Henry James entre outros.

A psicanálise contemporânea e seus autores no qual Green é dos mais expressivos surgiu para dar conta da psicanálise em nossa época. Ao surgir a evidência de que havia uma necessidade de lidar com as questões que surgiam na clínica, o movimento contemporâneo passou a ser marcado por forças que puxavam para diversas direções a partir do que era comum na clínica. Os casos limite, os distúrbios narcísicos, as patologias psicossomáticas, em suma, a predominância de estruturas não neuróticas, que segundo o próprio Green exigiu a elaboração de uma nova teoria geral do psiquismo e de uma técnica. Essa convivência com esses pacientes, nos obriga descobrir uma nova maneira de pensar, diferente daqueles da neurose e até mesmo da psicose.

Devemos a Green uma série de conceitos e noções que se tornaram familiares em nosso meio tais como o complexo da mãe morta, o narcisismo primário como estrutura, narcisismo de vida e narcisismo de morte, o trabalho do negativo, as funções objetalizantes e desobjetalizantes, a estrutura enquadrante do eu e sua relação com a alucinação negativa, a relação pulsão objeto e todo um desenvolvimento para a compreensão dos casos limites.

Consideramos que um de seus trabalhos mais importante e conhecido é a mãe morta. Representa um marco na construção de um modelo teórico clínico especificamente contemporâneo do funcionamento limite. A noção de “trauma por ausência” que vem de Ferenczi foi retomada por outros autores. O trauma não deriva somente de um excesso, que seria insuportável. Ele provem também de algo que esperaríamos existir e que não existe no quadro da mãe morta, há seguramente “algo que falta”, que é esperado da mãe, mas não encontra lugar na relação. Mas não é só isso. Segundo Green a mãe morta não é uma mãe distraída, uma mãe negligente. Ela carrega a morte em si – e essa morte que ela carrega é o que se transmite em sua relação com seu filho querido- com aquele que até então era um filho querido e um dia sem que ele compreenda o que se passa, percebe que sua mãe não está mais ali no sentido do seu amor, desse amor que ela doa e que é tão necessário ao filho para viver.

Esse trabalho tão importante e complexo, citado pela maioria dos psicanalistas, bem como outros textos de Green, fazem parte do currículo de nossa Instituição. Green de certa forma tentou manter a tradição freudiana, acrescentando suas novas ideias. O par pulsão objeto é uma delas. A tradição da psicanálise francesa, a influencia dos autores com quem teve contato e sua originalidade tornam os trabalhos desse autor original importantes de serem conhecidas.





Na Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, funcionam grupos de estudos (presenciais ou virtuais), com temas e abordagens teóricas distintas. Alguns são abertos somente a membros da SPRJ; outros aceitam também candidatos e membros de sociedades filiadas à Febrapsi; e alguns estão abertos ao público externo.

A seguir, apresentamos cada um deles e, se desejar mais informações, favor enviar um e-mail para sprj.rio1@sprj.org.br.

* Grupo de Estudos de Análise de Criança e Adolescente
Frequência: Nas quartas Sextas-feiras, de 13h às 14h30.
Coordenação: Débora R. Unikowski e Marisa H. Monteiro.

* COWAP – Comitê Mulheres e Psicanálise
Frequência: Nas primeiras Sextas-feiras, de 16h às 17h30.
Coordenação: Mariangela Relvas.
Aberto a Membros Febrapsi.

* Paciente de difícil acesso
Frequência: Nas 1as e 3as Sextas-feiras, de 14h às 15h30.
Coordenação: Mariangela Relvas e Suely Balassiano.
Aberto a Membros SPRJ.

* Diálogos da Atualidade sobre Psicanálise
Frequência: Terças-feiras, de 8h30 às 10h.
Coordenadores: Ronaldo Victer, Daisy Ribas e Marcia Camara.
Aberto a Membros e Candidatos Febrapsi, universitários e profissionais.

* Psicossomática e Psicanálise
Frequência: Quintas-feiras, de 8h30 às 10h.
Coordenadores: Ronaldo Victer, Marcia Camara e Vera Marcia Ramos.
Aberto a Membros e Candidatos Febrapsi, universitários e profissionais.

* Grupo de estudo sobre Preconceitos
Frequência: Nas segundas Sextas-feiras de cada mês, de 10h às 11h30.
Coordenadoras: Nádia Franco e Silvia Kossmann.
Aberto a Membros SPRJ e Membros Provisórios Febrapsi.

* Winnicott
Frequência: Nas 2as e 4as Sextas-feiras, de 16h às 17h30.
Coordenação: Eliana Atiê e Olivia Porcaro.

* Pensando a Técnica
Frequência: Nas 1as e 3as Terças-feiras, de 20h45 às 22h.
Coordenação: Rosely Lerner, Dagmar D’Angelo, Débora R. Unikowski e Marisa H. Monteiro.

Aberto a Membros Febrapsi e candidatos que tenham familiaridade com as teorias de Melanie Klein e Wilfred Bion.

Donald Winnicott

Por que Ferenczi tem sido um dos autores mais valorizados nos últimos anos? Quais são suas principais contribuições para a psicanálise contemporânea? Considerado o principal interlocutor de Freud, por que foi vítima, por décadas, do silêncio da morte? Essas e outras questões são estudadas nos seminários do curso de Formação do IEP sobre esse autor conhecido como um especialista de casos considerados inanalisáveis pela psicanálise clássica.

Ferenczi atendia pacientes que apresentavam sofrimentos mais primários e mais graves relacionados às vivências precoces traumáticas que eram encenadas na relação transferencial. Essas impressões sensíveis se apresentavam em estado bruto relacionadas a uma dor sem conteúdo de representação e a uma sensação de desconexão. A grande dificuldade desses pacientes de seguir a regra fundamental da Psicanálise, a associação livre, levou Ferenczi a se voltar para a percepção dos afetos em curso, a valorizar a contratransferência e a pessoa do analista.

Freud se referia a um trauma articulado em dois tempos, sendo o segundo tempo aquele que confere o efeito traumático, mas Ferenczi vai tratar do trauma que congela o tempo e o anula, tornando impossível qualquer elaboração. Nesse caso, o que há é uma impossibilidade de acesso ao simbólico pois, “nada que se assemelhe à morte jamais pode ter sido experimentado” (Ferenczi, 1932).

Confusão de Línguas entre Adultos e Crianças (1933), objeto de discórdia com Freud, é considerado um artigo clássico da Psicanálise que consta no Internacional Psychoanalycal Journal como um dos mais citados nos últimos vinte anos; possuindo mais de trezentas citações. Portanto, o estudo de sua obra se justifica pela importância de suas contribuições à Psicanálise atual no que diz respeito à clínica, aos processos de subjetivação e à política.

O projeto “Mentes da Maré” é uma iniciativa que oferece atendimento gratuito à população da comunidade da Maré, localizada no Rio de Janeiro, Brasil. O objetivo principal desse projeto é oferecer tratamento psicoterápico para os moradores, sem limitação de tempo de duração do tratamento.  

A comunidade da Maré é uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, abrigando uma população significativa muito carente de todo e qualquer serviço de saúde. Uma característica importante desse projeto é que ele não estabelece um tempo de duração para os atendimentos, o que significa que os profissionais envolvidos estão disponíveis para atender às necessidades da comunidade pelo tempo que for necessário. Essa abordagem é fundamental para garantir que todos os indivíduos tenham acesso aos serviços de que precisam, independentemente da complexidade ou da duração do problema enfrentado, permitindo atender às necessidades da comunidade de forma abrangente e efetiva. Essa ação contribui para a melhoria das condições de vida dos moradores e o fortalecimento da comunidade como um todo.

O projeto foi iniciado em 2022 e já atendeu mais de 100 pacientes da Maré. O projeto faz parte do Departamento de Assistência Psicológica (DAP), da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Conta com a participação de dez analistas e membros em Formação da SPRJ, assim como conta com a ajuda de dez colaboradores externos, que trabalham junto conosco para suprir a alta demanda. A coordenação geral do projeto é das psicanalistas Eliana Mello e Tânia Leão Pedrozo. 

Com muita satisfação, a equipe do Projeto Mentes da Maré, do DAP/SPRJ, recebeu premiação (First Prize Winner) da International Pshychoanalytical Association (IPA), na categoria Community and the World Awards, e irá apresentar esse relevante projeto no Congresso da IPA em Lisboa, Portugal, em julho de 2025.

“Hoje é que estamos a viver, de fato, na caverna do Platão. Porque as próprias imagens que nos mostram da realidade são uma maneira de substituir a realidade. Nós estamos no mundo audiovisual, estamos efetivamente a repetir a situação das pessoas aprisionadas ou atadas na caverna do Platão, olhando em frente, vendo sombras e acreditando que essas sombras são a realidade.” – José Saramago

Nunca a questão das telas esteve tão em voga quanto no momento atual. Se nas últimas décadas o advento dos televisores revolucionou a distribuição em massa de informações, a chegada da internet, dos celulares e, depois, em especial, dos smartphones, tornou possível a vinculação de informações específicas para cada usuário. A conectividade associada a esses aparelhos modificou completamente o entendimento das distâncias e das possibilidades de comunicação, trazendo transformações significativas para a sociedade.

Acesse aqui o índice de artigos da Revista Psicanalítica (2025)

Na última década, assistimos à humanidade substituindo, em níveis cada vez mais altos, os contatos reais pelos virtuais. Recentemente, uma publicação (lida através de um smartphone, claro!) anunciava que inúmeras boates noturnas, antes conhecidas como discotecas, estão fechando suas portas em definitivo. O motivo? A geração entre 18 e 24 anos não tem interesse de frequentá-las. Preferem os aplicativos, demonstrando uma mudança profunda em nossa maneira de nos relacionar com o mundo e uns com os outros.

Assim como o casal Curie, que sofreu as consequências por trabalhar com material radioativo sem o conhecimento dos efeitos destrutivos da radioatividade, atualmente vemos um movimento mundial, ao qual o Brasil está fazendo parte, que vêm proibindo o uso de celulares em ambiente escolar, em uma tentativa de estimular o retorno da interação social entre os alunos. As telas, que nos fornecem imagens e sons do mundo, também nos afastam da experiência direta, substituindo-a por uma realidade mediada e, muitas vezes, distorcida.

Apesar da atual geração de crianças e adolescente ser contemporânea ao surgimento da era digital, pois nasceu e cresceu na atmosfera desse contexto, não podemos afirmar que as gerações anteriores a esta não sejam também impactadas por sua influência.

E é nesse contexto de crescente isolamento social, mediado pelas telas, que a psicanálise se vê desafiada a refletir sobre seu papel. E os psicanalistas, o que têm a dizer sobre essas questões?

Estimulantes e muito produtivas têm sido as discussões em relação aos tratamentos realizados por videoconferência, que se tornaram uma possibilidade efetiva de seguimento de tratamentos durante o período da pandemia de covid-19. Através desse método terapêutico a distância, moradores de lugares de difícil acesso encontraram a possibilidade de realização de um tratamento adequado. Porém, isso tornou a presença física no consultório questionável para aqueles que, mesmo podendo, preferem dar continuidade de forma on-line. Afinal, como psicanalistas, sabemos da importância e do valor de um tratamento que se dá de forma presencial no consultório. Também nessa época, as sociedades psicanalíticas deram continuidade a suas formações nesse modelo, diminuindo distâncias e barreiras impostas pela doença, mas que trazem a questão: o virtual nos tem permitido estar mais próximos?

Entendemos que a Psicanálise pode trazer novos conhecimentos clínicos sobre as mudanças geradas pela presença das telas na vida humana: estaríamos, como Saramago disse, dentro da caverna de Platão? Ou, de fato, o acesso ao conhecimento quase ilimitado realizado dentro das inteligências artificiais nos coloca frente a uma nova realidade que ainda desconhecemos? Quais as implicações das telas nas interações sociais, e quais as novas construções psicopatológicas advindas de mais de uma década da chegada dos smartphones? Como a interação entre seres humanos com suas subjetividades e telas ultratecnológicas poderia influenciar os modos de funcionamento do inconsciente?

Será que o antagonismo clássico entre real e virtual encontra-se ultrapassado? Ou será que Freud estava caminhando nesse sentido quando abandonou sua teoria do trauma ou teoria da sedução e se permitiu pensar que, para o psíquico, não havia diferenças entre fato experienciado na realidade externa ou fantasiado (descobrindo, assim, que o poder traumático da fantasia é tão efetivo quanto daquele vivido na realidade externa)?

Seguindo seus passos metapsicológicos, passamos a compreender que nossas experiências são gravadas, inicialmente, como traços mnêmicos, que geram representações; primeiramente representações-coisas e, mais tarde, representações-palavras. Porém, para que essas representações se façam presentes através do uso da memória, é necessária uma tela sobre a qual possam ser expostas. Em sua teoria, Freud pensou que, sobre essa tela, são expostas as imagens pictográficas dos sonhos, bem como as alucinações provenientes da psicose. Nela, apresentam-se mensagens das fases mais primitivas de nossa existência ontológica, assim como, epistemologicamente, as pinturas rupestres marcam as paredes das cavernas, trazendo-nos informações importantes sobre o passado da nossa espécie. Seria esta a mesma tela sobre a qual chegam percepções, imagens, sons, cheiros da realidade externa? Ou existiria mais de uma tela?

Utilizando-se de recursos semelhantes ao do inconsciente, como, por exemplo, condensação, deslocamento e acesso a todas as experiências vividas pelo sujeito, as inteligências artificiais possuem uma rede de dados que incluem quase todas as informações disponíveis na internet para a construção de imagens, sons, vídeos e textos solicitados pelo ser humano. Este se encontra no impasse de decidir se deve continuar se esforçando para aprender ou se deve pular etapas (ultrapassadas?) de seu desenvolvimento, com o intuito de estender a existência do princípio do prazer.

A questão toma outra direção quando essas informações, advindas dessas telas, são manipuladas por grandes empresas que visam à manutenção de sua “saúde financeira” e, por isso, não medem esforços para promover o consumo. Ou seja, o capital se torna o centro do mundo, e não mais a vida. E, assim, as telas nos inundam com os conteúdos mais viciantes possíveis, para que continuemos consumindo seus produtos, transformando-nos, de fato, em um produto. Qual é o impacto dessas enchentes de informações em nossas clínicas? Como estamos lidando com esse mundo convulsivo e perturbador? Quais são as possibilidades criativas que encontramos em nosso dia a dia para lidar com essas novas realidades?

Em 2025, a Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ) completa 70 anos de existência. Nesta publicação comemorativa, além dos artigos que visam aprofundar as discussões sobre o impacto das telas na psique humana e em nossa prática clínica, sob o tema As Telas e a Psicanálise, apresentamos os três trabalhos oriundos de psicanalistas da SPRJ que receberam prêmios internacionais junto a IPA, bem como dois artigos que celebram os 70 anos de nossa SPRJ.

Desejamos uma excelente leitura a todos.

Editores:

Tiago Julio Bonfada
Carlos Eduardo de Souza
Leonardo Siqueira Araújo

Diante de uma inquietante busca de um papel social mais abrangente para a psicanálise, a psicanalista Christine Nunes idealizou há mais de 6 anos o Projeto “Livros no Tatame”.

Foi um longo percurso na construção de um espaço de responsabilidade social, com a ideia de promover maior acesso à psicanálise, abrindo outras possibilidades de setting. É a leitura acompanhada do olhar e da escuta psicanalíticos, em que toda leitura propicia uma roda de conversa com as crianças falam de suas vivências e sentimentos, conta com a participação é espontânea de crianças e adolescentes, para a leitura de pequenos de livros infantis, crônicas e fábulas, cuidadosamente selecionados. Uma iniciativa reconhecida e apoiada por sociedades psicanalíticas, a Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro – SPRJ – e pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre – SBPdePA -, recebeu um Prêmio IPA na Cultura, no Congresso da IPA/2021- Vancouver.

Hoje com uma equipe de 19 “psileitoras”, estamos presentes em diferentes espaços: academia de jiu-jitsu, espaços culturais no Rio de Janeiro, escolas e associações de moradores, em Porto Alegre e Belém/PA, casas lares e instituições beneficentes em Porto Alegre e São Paulo , sempre num tatame/setting, onde oferecemos um espaço seguro para que as crianças se expressem. Estamos, também. numa Escola Indígena, dentro de uma comunidade Kaingang. Literatura e psicanálise estão lá, resgatando a autoestima e o potencial da cultura indígena e do povo Kaingang.

A psicanálise é uma ferramenta de transformação e a escuta psicanalítica, presente nos encontros de leitura, pode ser um catalisador para mudanças positivas na vida das crianças, ajudando-as a lidar com dificuldades, a construir relações mais saudáveis e a desenvolver sua autonomia. A proposta oferece que o “tatame” possa funcionar como um espaço de escuta analítica, um lugar onde a criança possa se expressar livremente, assim como num setting analítico tradicional.

Livros no Tatame é um portal que se abre para um universo de emoções, onde cada criança é convidada a ser protagonista da sua própria história.

A IPA, através do Comitê Preconceitos Discriminação e Racismo, recomenda e apoia que as Sociedades componentes criem grupos de estudos sobre estes temas.

Atendendo a estas recomendações seguimos representando a SPRJ no Grupo de Estudos sobre racismo e de práticas antirracistas, sob coordenação de Josiane Barbosa, diretora do Departamento Comunidade e Cultura da Febrapsi.

Na SPRJ, iniciamos o Grupo de Estudos sobre Preconceitos, com frequência mensal, aberto a membros e candidatos. Silvia Kossmann é nossa co-cordenadora.

O Núcleo da SPRJ apoia os seguintes Projetos na Comunidade:

1) Projeto Livros no Tatame, criado por Christine Nunes;

2) Projeto da Maré – este sob os auspícios do Departamento de Assistência Psicológica (DAP, a clínica social da SPRJ), sob a coordenação de Eliane Mello, Tânia Pedroso e colaboradores.

Neste ano, o “Livros no Tatame” aconteceu pela primeira vez na sede da nossa Sociedade. Acreditamos na importância de “abrir as portas” da SPRJ para a comunidade, transformando nosso espaço em um ponto de encontro cultural e social. Esta proposta é fruto de uma parceria com líderes comunitários, que se dedicam a projetos sociais voltados para crianças de 5 a 10 anos, e visa promover a democratização da Psicanálise. As crianças são acompanhadas por seus responsáveis, que também são acolhidos.

“Livros no Tatame” oferece um ambiente seguro e acolhedor, onde a leitura e a psicanálise se encontram para proporcionar momentos de reflexão para todos os participantes. A equipe do Rio de Janeiro é formada por Christine Nunes, Rosa Reis, Aline Weber, Anita Peixoto e Camila Reinert.

Texto elaborado por Nádia Franco.

O Núcleo Psicanálise e Arte da SPRJ é voltado para o rico diálogo entre as duas áreas, através de palestras, discussões, exposições, lançamentos de livros e cursos voltados ao público em geral.

Freud foi o primeiro a se interessar em tecer articulações entre psicanálise e arte. Ao longo de sua obra, usou inúmeras referências à arte para enriquecer tanto sua teoria com a compreensão da mesma.

Sófocles, Shakespeare, Goethe, Heinrich Heine, E.T.A. Hoffmann, Dostoiévski, Nietzsche, Rabelais, Cervantes, Montaigne, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rembrandt, Mozart, Wagner entre outros estiveram na mente do Pai da Psicanálise, dialogando com a compreensão da mente humana.

Além disso, podemos pensar nas próprias coleções mantidas por Freud – antiguidades arqueológicas, estatuetas de deuses e figuras mitológicas, reproduções de obras de artes conhecidas, livros raros e edições especiais – como testemunhos do seu apresso pelas artes e pelo diálogo permanente do pensar psicanalítico com outras áreas do saber.

 Freud ressaltou, em diferentes ocasiões, a capacidade intuitiva dos escritores em acessar verdades psíquicas profundas, reconhecendo que eles frequentemente antecipavam descobertas que a psicanálise viria a formalizar.

Na história da Psicanálise, muitos autores se dedicaram a compreender as Artes em suas diferente formas e a criatividade, acrescentando muitas camadas e tecendo diferentes caminhos para o riquíssimo diálogo entre os dois campos. Vale citar que cinema, televisão passaram também a fornecer belas obras para essa troca.

Na SPRJ, essa história também tem muitos capítulos, Portela Nunes, Edna Vilete, Maria Manhães escreveram extensamente sobre o tema. A última costumava ressaltar, a partir de seus estudos da obra machadiana, que Machado de Assis falara de inconsciente alguns anos antes de Freud, no romance Helena. Em seu Fórum de Cinema, Waldemar Zusman e Neílton Dias se debruçaram sobre diversas obras com olhar psicanalítico.

Em 2024, o Núcleo ofereceu o curso Mitologia Greco-Romana: Metamorfoses de Ovídio, com Sandra Regina Guimarães (PUC-Rio). Tivemos o evento “O mito de Narciso” uma conversa entre a historiadora Maria Eduarda Marques e a psicanalista Sonia Moura (SPRJ). Fechamos o ano com “Ismael Nery: Uma conversa, uma exposição”, onde o curador Max Perlingeiro e a psicanalista Eliana Melo falaram sobre a obra do pintor, acompanhados pela exposição de 14 obras de arte, e Olivia Porcaro trouxe a história da sede da SPRJ que pertenceu à poeta Adalgisa Nery, viúva do artista.

Texto elaborado por Olivia Porcaro.

Quem somos:
O Departamento de Atendimento Psicanalítico (DAP) da SPRJ é uma clínica social contemporânea, que tem por objetivo, além da difusão da Psicanálise, tornar possível o acesso ao tratamento psicanalítico para aqueles com limitação financeira.

Como trabalhamos:
O método psicanalítico pressupõe três a quatro sessões semanais de atendimento. O DAP/SPRJ prioriza esse modelo com alta frequência de sessões com valor acessível, havendo um limite máximo de 100 reais, a fim de viabilizar o tratamento psicanalítico.
Há a opção de atendimento na frequência de 01 a 02 sessões na semana – neste caso, a ser combinado com o psicanalista que irá atender o paciente.

Nossa Clínica:

  • Intervenção precoce de bebês
  • Crianças
  • Adolescentes
  • Adultos
  • Idosos
  • Casal
  • Família

Como se inscrever:

Marcar uma entrevista on-line com o DAP, através do WhatsApp (21) 97342-5750. Após essa entrevista, o paciente será encaminhado para o psicanalista que irá  atendê-lo

Projeto Social

O projeto “Mentes da Maré” é uma iniciativa que oferece atendimento gratuito à população da comunidade da Maré, localizada no Rio de Janeiro, Brasil. O objetivo principal desse projeto é oferecer tratamento psicoterápico para os moradores, sem limitação de tempo de duração do tratamento.  

A comunidade da Maré é uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, abrigando uma população significativa muito carente de todo e qualquer serviço de saúde. Uma característica importante desse projeto é que ele não estabelece um tempo de duração para os atendimentos, o que significa que os profissionais envolvidos estão disponíveis para atender às necessidades da comunidade pelo tempo que for necessário. Essa abordagem é fundamental para garantir que todos os indivíduos tenham acesso aos serviços de que precisam, independentemente da complexidade ou da duração do problema enfrentado, permitindo atender às necessidades da comunidade de forma abrangente e efetiva. Essa ação contribui para a melhoria das condições de vida dos moradores e o fortalecimento da comunidade como um todo.

O projeto foi iniciado em 2022 e já atendeu mais de 100 pacientes da Maré. O projeto faz parte do Departamento de Assistência Psicológica (DAP), da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Conta com a participação de dez analistas e membros em Formação da SPRJ, assim como conta com a ajuda de dez colaboradores externos, que trabalham junto conosco para suprir a alta demanda. A coordenação geral do projeto é das psicanalistas Eliana Mello e Tânia Leão Pedrozo. 

Com muita satisfação, a equipe do Projeto Mentes da Maré, do DAP/SPRJ, recebeu premiação (First Prize Winner) da International Pshychoanalytical Association (IPA), na categoria Community and the World Awards, e irá apresentar esse relevante projeto no Congresso da IPA em Lisboa, Portugal, em julho de 2025.

 

Em 1955, durante o 19º Congresso Internacional de Psicanálise em Genebra (Suíça), o Centro de Estudos Psicanalíticos do Rio de Janeiro é aceito como Sociedade Componente da Associação Internacional de Psicanálise, com o nome de SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO. 

A ata de fundação da SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO foi datada em 29 de setembro de 1955 (data comemorativa), constando os seguintes membros fundadores: Diretoria: Presidente de Honra − Dr. Werner Walter Kemper; Presidente – Dr. Fábio Leite Lobo; Secretário – Dr. Gerson Borsoi; Tesoureiro – Dr. Luiz Guimarães Dahlheim. Membros Efetivos: Anna Katrin Kemper, Fábio Leite Lobo, Gerson Borsoi, Inaura Carneiro Leão Vetter, Luiz Guimarães Dahlheim, Noemy da Silveira Rudolfer e Werner Walter Kemper. Membros Associados: Celestino de Maria Prunes, João Marafelli Filho, Zenaira Aranha e Inês Besouchet.

Importante ressaltar o interesse pela Psicanálise despertado nos intelectuais da ex-capital do Brasil, entre as décadas de 1950/60, que teve a produção editorial da tradução direta dos textos originais de Freud, do alemão para o português, as Obras Completas de Freud, pela Editora Delta (Rio de Janeiro). Hoje, são relíquias de Bibliotecas, altamente valorizados pelos estudiosos da Obra de Freud em Língua Portuguesa e são encontrados na BIBLIOTECA WERNER W. KEMPER da SPRJ. Biblioteca esta que possui um dos maiores acervos especializados em Psicanálise do território brasileiro, dispondo de todas as principais revistas internacionais, obras dos autores brasileiros e estrangeiros, além de guardar documentos da memória institucional e da história do movimento psicanalítico do Rio de Janeiro.

A SPRJ, em 1957, criou o Setor de Assistência Psicológica (SAP), algo significativo por sua dimensão clínico-assistencial num trabalho de abrangência social. A sua primeira organização ficou a cargo dos Drs. Werner Kemper, Leão Cabernite, Lysanias Marcelino da Silva e Sara Furquim. A inauguração contou com a presença do, então Ministro da Saúde, Dr. Maurício de Medeiros, de quem se sabia ser entusiasta da psicoterapia, por ter feito em seu livro, “Psicoterapia e suas modalidades”, uma classificação de psicoterapia. O Ministro defendeu a fundação de uma Sociedade Brasileira de Psicoterapia, que conciliasse todas as modalidades de psicoterapias.

A SPRJ patrocinou a implantação de Núcleos Psicanalíticos, que se transformaram em sociedades componentes da IPA – em Porto Alegre: Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre; em Recife, junto com a SBPRJ: Sociedade Psicanalítica do Recife; em Campo Grande: Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul; em Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Psicanálise de Minas Gerais. E, sobretudo, a formação psicanalítica através do seu próprio Instituto de Ensino da Psicanálise (IEP/SPRJ), que conta, até a presente data (2025), com 50 turmas de candidatos.

No ano de 1983, dentro da estrutura societária da SPRJ, houve afluência de alguns psicanalistas, no sentido de formar um Fórum de Debates, objetivando a temática da Ética. Este evoluiu como Grupo Pro-Ética, desmembrando-se, em março de 2002, em Sociedade Provisória Interina da IPA, a Associação Psicanalítica do Estado do Rio de Janeiro. Posteriormente, no ano de 2005, foi reconhecida como Sociedade Componente da IPA: APERJ-Rio 4.

A partir de 2010, algo singular aconteceu no contexto institucional psicanalítico internacional. Através de diálogos preliminares entre psicanalistas da SPRJ e da Associação Psicanalítica Rio-3 (APRIO 3), deu-se a fusão das duas Sociedades Psicanalíticas. Na Assembleia Geral da SPRJ, de 13 de julho de 2011, psicanalistas e candidatos da ex-Associação Psicanalítica Rio-3 passaram a ser Membros da SPRJ, guardando suas qualificações da época.

A FORMAÇÃO DE ANALISTA DE CRIANÇA E ADOLESCENTE faz parte do Instituto de Formação da SPRJ e foi reconhecida pela IPA em 2011.

A partir de 2025 será adotado o PROGRAMA DE FORMAÇÃO INTEGRADA – INTEGRATED TRAINING PROGRAM – ITT. Este novo programa curricular, incentivado pela IPA, oferece seminários, antes pertencentes exclusivamente à Formação de Analista de Criança e Adolescente, desde o início da Formação de Adultos.

Dessa forma, todos os Candidatos podem ser introduzidos à Psicanálise de Criança dentro de uma perspectiva histórica, teórica, técnica e clínica. Abrindo espaço para o estudo de estados primitivos da mente, tema de fundamental importância para todo analista.

Entretanto, para aqueles que desejarem se tornar Analistas de Bebê, Criança e Adolescente, será necessário complementar o Programa Curricular com a Observação da Relação Mãe-Bebê, método Esther Bick, cursar Seminários Específicos de Técnica e Psicopatologia e Seminários Clínicos  durante dois semestres.

Fazem parte da Formação: a realização de duas supervisões de 50 horas cada, com um Analista de Criança e Adolescente da SPRJ, um trabalho teórico a cada semestre e um trabalho final teórico clínico.

Em que consiste o método:
O propósito da observação de bebês através do método Esther Bick é o de acompanhar o desenvolvimento emocional do bebê e refletir sobre sua interação com a mãe e demais cuidadores no ambiente familiar.
Essa metodologia permite que, assim como o observador, a mãe também se beneficie desse olhar sensível para com seu bebê durante o primeiro ano de vida.

Como a observação é realizada:
O observador vai à casa do bebê uma vez por semana durante um ano e permanece durante uma hora. Mantém uma relação cordial e cuidadosa, sem interferências sobre a relação mãe – bebê, respeitando a intimidade e mantendo o sigilo.

Observação da Relação Mãe-Bebê (ORMB):
Atualmente temos dois grupos compostos por analistas em formação e membros da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro sob a coordenação das analistas Débora Regina Unikowski, Marisa Helena Monteiro e Patrícia Mussoi.