Breve Histórico da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro

Juliano Moreira exerceu a atividade de Professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e foi a primeira pessoa de renome que em setembro de 1914, pronunciou conferência numa sessão da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal, sobre A PSICANÁLISE DE FREUD. Três meses mais tarde, o Dr. Genserico Aragão Souza Pinto defendeu tese de doutorado na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, com o tema PSICANÁLISE E A SEXUALIDADE NAS NEUROSES. 

Em 1919, Medeiros e Albuquerque membro da Academia Brasileira de Letras, conferenciou na Policlínica do Rio de Janeiro sobre A PSICOLOGIA DE UM NEUROLOGISTA: FREUD E AS TEORIAS SEXUAIS. 

 Na metade do Século XX, a Psicanálise tomava rumos cada vez mais definidos na Cidade do Rio de Janeiro. Em 1944 foi criado Centro de Estudos Juliano Moreira por um grupo de psiquiatras dentro do Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM) que buscava formação psicanalítica. O Centro foi dirigido pelo Diretor do SNDM, Dr. Adauto Botelho. Através do empenho do próprio Dr. Adauto Botelho, quatro psiquiatras, os Drs. Walderedo Ismael de Oliveira, Alcion Baer Bahia, Danilo e Marialzira Perestrello, viajaram para Buenos Aires com vistas à análise de formação psicanalítica. 

Em 1946, realizou-se no Rio de Janeiro o Congresso Pan-Americano de Medicina, com a presença de vários psicanalistas argentinos que já pertenciam à recém fundada Associação Psicanalítica Argentina. Em 1947, com a chegada ao Rio de Janeiro do Dr. Domício de Arruda Câmara, que havia passado alguns anos nos EUA, onde se submetera a análise com o Dr. Gregory Zilborg, foi fundado o INSTITUTO BRASILEIRO DE PSICANÁLISE. 

 Em 1948, os Drs. Domício de Arruda Câmara (Presidente do IBP) e Silvio Grieco viajaram para Londres, sede da Associação Internacional de Psicanálise, e conseguiram a vinda, para o Rio de Janeiro, do Mr. Marc Burke, para iniciar a formação psicanalítica de um grupo de dez psiquiatras. No final do mesmo ano, outro analista Didata veio para o Rio de Janeiro, Dr. Werner Walter Kemper, também indicado pelo Dr. Ernest Jones (Presidente da Associação Internacional de Psicanálise) que, então, a partir de 1949, passou a dividir com o Mr. Burke os encargos da formação psicanalítica no Rio de Janeiro. 

 Juntos, o Mr. Burke e o Dr. Kemper procuraram organizar, como Study Group, o Núcleo Psicanalítico do Rio de Janeiro sob responsabilidade e patrocínio da, então Sociedade Provisória de Psicanálise de São Paulo, cujos Diretores eram Dr. Durval Marcondes e Dra. Adelheid Koch. Contudo, começaram a surgir divergências entre Mr. Burke, Dr. Kemper e os seus respectivos grupos de analisandos. 

Em 1950, Dr. Kemper, com seus analisandos, funda o CENTRO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS DO RIO DE JANEIRO, que foi reconhecido pela Associação Internacional de Psicanálise, em 1953, como Study Group. Integrada pelos seguintes membros: Dr. Celestino Prunes, Dr. Luiz Guimarães Dahlheim, Dr, Fábio Leite Lobo, Dr. João

Marafelli Fº, Dr. Gerson Borsoi, Dr, Souza Viana, Dra. Inaura Carneiro Leão, Zenaira Aranha, Inês Besouchet e Noemy Rudolfer. Mais tarde, Dr. Souza Viana deixa o grupo e entra em seu lugar Sra. Kathrin Kemper. 

 Em 1955, durante o 19º Congresso Internacional de Psicanálise em Genebra (Suíça), o Centro de Estudos Psicanalíticos do Rio de Janeiro é aceito como Sociedade Componente da Associação Internacional de Psicanálise, com o nome de SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO.   A ata de fundação da SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO foi datada em 29 de setembro de 1955 (data comemorativa) constando os seguintes membros fundadores:

Diretoria: Presidente de Honra − Dr. Werner Walter Kemper; Presidente – Dr. Fábio Leite Lobo; Secretário – Dr. Gerson Borsoi; Tesoureiro – Dr. Luiz Guimarães Dahlheim. 

Membros Efetivos: Anna Katrin Kemper, Fábio Leite Lobo, Gerson Borsoi, Inaura Carneiro Leão Vetter, Luiz Guimarães Dahlheim, Noemy da Silveira Rudolfer e Werner Walter Kemper. 

Membros Associados: Celestino de Maria Prunes, João Marafelli Filho, Zenaira Aranha e Inês Besouchet. 

 Importante incluir, como fato demonstrativo do interesse pela Psicanálise despertado nos intelectuais da ex-Capital do Brasil, entre as décadas 1950/60, a produção editorial da tradução direta dos textos originais de Freud, do alemão para o português, as Obras Completas de Freud, pela Editora Delta (Rio de Janeiro). Seus tradutores foram renomados psiquiatras: Cincinato Magalhães, Elias Davidowich, Gladestone Parente e Odilon Galotti. Hoje, esses textos são relíquias de Bibliotecas, altamente valorizados pelos estudiosos da Obra de Freud de língua portuguesa, e são encontrados na BIBLIOTECA WERNER W. KEMPER da SPRJ. Biblioteca que possui um dos maiores acervos especializados em Psicanálise do território brasileiro. Dispondo de todas as principais revistas internacionais, obras dos autores brasileiros e estrangeiros, além, de guardar documentos da memória institucional e da história do movimento psicanalítico do Rio de Janeiro. 

 A meta de conquistar a Psicanálise como ciência, como progresso de um trabalho terapêutico e como a base de entidade profissional, incluía uma sede para as reuniões. Portanto, a compra da casa – aonde, até hoje, se encontra – começou em 1955 com o empenho de Dr. Lysanias Marcellino da Silva (Membro do CEP) em obter verbas governamentais, que se concretizaram em meados de 1956, com o sinal e princípio de pagamento da compra. 

A Promessa de Compra e Venda do imóvel foi assinada pelo Dr. Fabio Leite Lobo, representando o CENTRO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS DO RIO DE JANEIRO. O restante do pagamento estendeu-se como dívida por 11 anos, impondo aos antigos Membros do CEP e aos recém-chegados a SPRJ, uma quota mensal, a critério de contribuição. 

Em dezembro de 1967, efetuou-se o último compromisso com a Caixa Econômica Federal, dignificando o empenho efetivo do conjunto dos Membros. 

Contudo, a oficialização de posse do imóvel, pela SPRJ, ocorreu por um processo de rito. No dia 03 de novembro de 1987, duas Assembleias Extraordinárias, simultâneas, realizaram-se no mesmo endereço em salas distintas: a do CEP e a da SPRJ. A do CEP, presidida por Dr. Wilson José Simplício e com a presença da maioria absoluta de seus sócios fundadores e efetivos, deliberou por unanimidade a proposta de dissolução do CEP com destinação de seu patrimônio para a SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO. A da SPRJ, presidida por Dr. Paulo Rocha Lagoa Quinet de Andrade, oficializou o recebimento e a incorporação do referido imóvel aos bens societários.  

A criação do Setor de Assistência Psicológica (SAP), em 1957, foi significativa, por sua dimensão clínico-assistencial num trabalho de abrangência social. A sua primeira organização ficou a cargo dos Drs. Werner Kemper, Leão Cabernite, Lysanias Marcelino da Silva e Sara Furquim. A inauguração, contou com a presença do, então, Ministro da Saúde Dr. Maurício de Medeiros, de quem se sabia ser entusiasta da psicoterapia, por ter feito em seu livro, Psicoterapia e suas modalidades, uma classificação de psicoterapia. O Ministro defendeu a fundação de uma Sociedade Brasileira de Psicoterapia que conciliasse todas as modalidades de psicoterapias. 

A iniciativa de criação desse Setor (SAP) foi de Werner Walter Kemper, que se baseou na sua experiência na Policlínica de Berlim, em convivência com as ideias de Max Eitingon. O objetivo era criar em um contexto que oferecesse tanto o tratamento psicanalítico individual a preços módicos, como, também, dar ambiência para a supervisão e a prática psicanalítica dos futuros psicanalistas. Contudo, ao realçar o compromisso da Psicanálise com o social, gerou uma demanda que instou os psicanalistas a elaborarem conhecimentos mais dinâmicos às necessidades dessa realidade. Por consequência, adquiriu um modelo para trabalhar psicanaliticamente, enquanto experiência de grupoterapia, a qual impulsionou apresentações no 2º Congresso Latino Americano de Psicoterapia de Grupo no Chile em 1960. 

O Relatório Oficial foi de Werner Kemper e Leão Cabernite com o título O problema da investigação em psicoterapia de grupo. Também, as apresentações de Maria Manhães com o título: O artista e a situação inicial na grupoterapia; Werner Kemper, com: Experiência com psicoterapia didática de grupo em candidatos em formação psicanalítica; Leão Cabernite, com: Contribuição ao estudo da dinâmica na grupoterapia; Leão Cabernite e Lysânias Silva e Sara Furquim Almeida, com: Experiência com um serviço de grupoterapia numa sociedade psicanalítica. 

O aprofundamento dos trabalhos de grupoterapia, dentro da SPRJ, levou um número de psicanalistas da SPRJ, fundarem, no início da década de 1970, uma sociedade circunstanciada com a grupoterapia: a Sociedade de Psicoterapia Analítica de Grupo (SPAG – RJ). 

No ano de 1971, a SPRJ contava com 10 Membros Efetivos, 18 Membros Associados e 45 Candidatos em formação no Instituto de Ensino da Psicanálise. Isso significa dizer que 73 pessoas orbitavam pela SPRJ. 

Na Associação Brasileira de Psicanálise (ABP), foi organizado o primeiro Roster, pela Secretária da ABP, Dra. Maria Manhães, na gestão do Dr. Luiz G. Dahlheim (1971 a 1973). Também, Dr. Luiz G. Dahlheim foi o primeiro brasileiro eleito para o cargo de  Vice-Presidente da IPA (1971 a 1975). Posteriormente, a SPRJ voltou a ocupar a VicePresidência da IPA com a Dra. Galina Schneider, entre 1994 e 1997. 

A SPRJ patrocinou a implantação de Núcleos Psicanalíticos que se transformaram em Sociedades Componentes da IPA: em Porto Alegre: Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre; em Recife, junto com a SBPRJ:  Sociedade Psicanalítica do Recife; em Campo Grande: Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul; em Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Psicanálise de Minas Gerais. E, sobretudo, a formação psicanalítica através do seu próprio Instituto de Ensino da Psicanálise (IEP − SPRJ) que conta, até a presente data (2017), com 44 turmas de candidatos. 

A SPRJ liderou a organização de alguns Congressos Brasileiros e Latinos Americanos de Psicanálise. Em 1980, patrocinou, com sucesso, dois grandes Congressos no Rio de Janeiro: VIII Congresso Brasileiro de Psicanálise e XIII Congresso Latino Americano de Psicanálise, sendo este último, extremamente dramático quanto ao nascimento da FEPAL (Federação Psicanalítica da América Latina) em substituição ao COPAL (Conselho das Organizações Psicanalíticas da América Latina). A importância eventual, mas decisiva, da SPRJ nesse episódio (do movimento psicanalítico da América Latina), resultou na fundação da FEPAL. 

Os dirigentes da IPA, de então, haviam entendido que o COPAL teria sido criado para fazer oposição a IPA. O tumulto ocorreu durante o XXXI Congresso da IPA em Nova York (1979), que desembocou na dificuldade de permanência da SBPSP (Sociedade Brasileira de São Paulo) e SBPRJ (Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro) no ex-COPAL. Houve, então, um esforço dos psicanalistas argentinos e uruguaios para fundarem, novamente, uma instituição psicanalítica que continuasse congregando as Sociedades da América Latina, em substituição ao COPAL. A aquiescência da SPRJ foi determinante e pontual, nesse momento político de fundação da FEPAL, no XIII Congresso Latino Americano de 1980, no Rio de Janeiro. 

No ano de 1983, dentro da estrutura societária da SPRJ, houve afluência de alguns psicanalistas, no sentido de formar um Fórum de Debates, objetivando a temática da Ética. Este evoluiu como Grupo Pro-Ética desmembrando-se, em março de 2002, em Sociedade Provisória Interina da IPA, a Associação Psicanalítica do Estado do Rio de Janeiro. Posteriormente, no ano de 2005, foi reconhecida como Sociedade Componente da IPA − APERJ – Rio 4. 

Ainda na década de 1980, a SPRJ organizou a 1ª Jornada Internacional da SPRJ = Brasil – Argentina, no Auditório do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (Rio de Janeiro) em julho de 1988. 

As apresentações foram em mesas-redondas, com temas amplos, tais como: “Édipo − Em Sófocles e na Sociedade Moderna” apresentada por Dr. Eustachio Portella Nunes (SPRJ), Prof. Junito Brandão (PUC-Rio), Dr. Maurício Abadi (APA) e coordenada por Dr. Paulo R.L. Quinet (SPRJ). “Psicanálise Psicossomática” por Dr. Amaury Queiróz (SPRJ), Dr. Luis A. Chiozza (APA), Dr. Otelo C. dos Santos Filho (SPRJ) e coordenada por Idésio Milani Tavares (SPRJ). “Psicanálise e Psicose” por Dr. Moisés Tractenberg (SPRJ), Dr. Ricardo Avenburg (APdBA) e coordenada por Dr. José Izaí (SPRJ). “Adolescência, Tóxico e Suicídio” por Dr. Carlos Roberto Saba (SPRJ), Dr. Eduardo Mascarenhas (SPRJ) e coordenada por Dr. Miguel W. Montera (SPRJ).

Os antigos Estatutos da FEPAL determinavam que sua governança fosse feita por rodízio entre suas federadas, portanto, para o Biênio 1988/90, foi determinada a SPRJ. Os seguintes psicanalistas foram referendados na Assembleia da SPRJ para a direção da FEPAL: Dr. Eustachio Portella Nunes (Presidente); Dra. Clemilda Barbosa de Souza (Secretária); Dr. Cláudio José Campos Filho (Tesoureiro); Dr. Nilo Ramos de Assis (Coordenador Científico); Ernesto Meirelles La Porta (Coordenador de Publicações). 

A primeira tomada de decisão feita de uma instituição psicanalítica, no âmbito do Brasil, para trazer um público de não psicanalistas para dentro da própria sede, coube a SPRJ, com a atividade da Comissão Científica coordenada pelo Dr. Eduardo Mascarenhas, na Gestão 1989/91 do Dr. Isaac José Nigri. Durante dois anos inteiros, um público “extra sociedade”, interessado, teve acesso, pela primeira vez, às reuniões científicas “dentro” da SPRJ, cujo eixo central foi Sexualidade, através da Obra de Sigmund Freud. Em todas essas reuniões, o auditório ficou superlotado. O efeito da presença desse público significou o “novo”, numa ordem que gerou impactos e oposições de membros. Por um lado, cautela e, por outro, uma alusão satírica de quebrar tabus quanto às “reuniões intramuros” – aquelas dos monastérios ortodoxos. 

Diferentemente de suas congêneres, a SPRJ revelou, desde os primórdios, possuir um grande veio de embate político-institucional entre seus Membros. A partir dessa estrutura, e na conjuntura dos anos 1991 a 1993, surgiu o GRUPO MEMÓRIA, com uma proposta de pesquisa da memória institucional e da história da Psicanálise. Funcionou, tanto como grupo de pesquisas sobre as relações numa instituição psicanalítica, como, também, grupo de atuação político-institucional. Produziu algumas propostas que foram levadas ao Corpo Societário. Uma dessas propostas concretizou-se em 1992 com o evento: Uma Questão de Ordem. Ocasião em que o Auditório Luiz G. Dahlheim ficou, totalmente, ocupado pelos psicanalistas. Discutindo-se, de maneira ampla, a organização política da SPRJ. 

Porém, o mais emblemático desses tempos foi o debate, em 14 de janeiro de 1994, entre os representantes, Dr. Carlos Edson Duarte pela Chapa Integração e Dr. Jeremias Ferraz Lima pela Chapa Ética e Psicanálise, que concorriam ao pleito eleitoral da SPRJ em 24 de janeiro de 1994. O evento contou com 60 psicanalistas, sendo que muitos usaram, com veemência, a força de suas respectivas retóricas e esteve sob a coordenação do Dr. Ronaldo Victer. 

No período de 2002/04, mais um Membro da SPRJ participou dos trabalhos de governança da IPA: Psic. Maria Eliana Barbosa Mello Helsinger na Casa de Delegados − House of Delegates. 

Em setembro de 2005, SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO comemorou cinquenta anos de sua existência institucional – JUBILEU DE OURO. Inaugurou o Centro de Documentação, de Memórias e de Referências da Psicanálise (CDMRP), com a exposição Psicanálise e Modernismo. 

Durante o ano de 2008, a SPRJ trouxe para si o questionamento fundamental dos meios psicanalíticos, de então: o que é Psicanálise? Mas, ainda hoje, essa pergunta ecoa com respostas antagônicas e, às vezes, longe de um consenso. 

Durante todo o ano de 2008, a Comissão Científica da SPRJ reuniu, mensalmente, no Auditório Luiz Guimarães Dahlheim, em sua sede, dois apresentadores com visões diferenciadas da teoria e da prática analítica. Após a exposição de suas ideias, seguiase um debate com a plateia. Além dos debates diretos, a Comissão Científica elaborou um questionário de sete perguntas, em torno da mesma matéria, e o enviou para três psicanalistas: Glen Gabbard, Jorge Ahumada e Elias Mallet Rocha Barros (Editorial da Psicanalítica, Vol. IX, nº 1, 2008). 

Algo singular, no contexto institucional psicanalítico internacional, aconteceu a partir de 2010. Através de diálogos preliminares entre psicanalistas da SPRJ e da Associação Psicanalítica Rio 3 (APRIO 3), deu-se a fusão das duas Sociedades Psicanalíticas. Na Assembleia Geral da SPRJ, de 13 de julho de 2011, psicanalistas e candidatos da ex-Associação Psicanalítica Rio 3 (ela encerrou legalmente suas atividades) passaram a ser Membros da SPRJ, guardando suas qualificações da época. Incorporaramse ao quadro societário da SPRJ 18 (dezoito) psicanalistas. Entre eles, psicanalistas de Crianças e Adolescentes. E, ao quadro de formação do IEP – SPRJ, foram admitidos 9 (nove) candidatos. Assim, somaram-se 27 (vinte e sete) novos partícipes à ambiência SPRJ.  Importante realçar, o percurso histórico da ex-Associação Psicanalítica Rio 3. Originou-se de um grupo de psicanalistas da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ), que tomou a decisão de constituir um Grupo de Estudos independente nos moldes oficiais da IPA. Coube ao Dr. Waldemar Zusman, que havia ocupado a função de Vice-Presidente da IPA (1993), representar os anseios institucionais do novo grupo perante o Executive Council no 40º Congresso, em Barcelona / 1997. Como consequência, no 43º Congresso da IPA, em Nova Orleans (USA), Grupo de Estudos Rio 3 obteve a aprovação como Sociedade Provisória e, finalmente, como Sociedade Componente da IPA no 44º Congresso, realizado no Rio de Janeiro em 2005, passando a denominar-se Associação Psicanalítica Rio 3. 

Um dos empreendimentos profícuos, denominado de “Seminários Cine-Clínicos”, iniciado pelo Dr. Waldemar Zusman, que, mais tarde, com a ajuda de Dr. Neilton Dias, tornou-se Fórum de Psicanálise e Cinema, continua em plena atividade enquanto programação científica da SPRJ. 

A SPRJ possui a publicação regular de artigos científicos, através da PSICANALÍTICA – ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO, indexada ISSN 1679074X. É meritório lembrar-se, de todo o trajeto da publicação dos artigos que começou em 1980, com o formato de juntada mimeografa, distribuída como BOLETIM DA COMISSÃO CIENTÍFICA DA SPRJ. Faz-se, também, importante considerar, de extrema importância, que, no dia 30 de maio de 2016, houve um movimento genuíno dos Membros em, através de uma Plenária, estabelecer sob diversos aspectos, a elaboração e editoração da PSICANALÍTICA – A REVISTA DA SPRJ. O que significa o registro de conscientização institucional do patrimônio intelectual da SPRJ. 

Rescrito por Ronaldo Victer em outubro de 2017. 

Revisão por Vera Lucia Costa de Paula Antunes 

Fontes: 

-SPRJ – OPÚSCULO COMEMORATIVO DE 25 ANOS. SPRJ, 1980. 
-VICTER, R (1991): ELEMENTOS PARA UMA COMPREENSÃO DA PRÉ-HISTÓRIA DA SPRJ (REVISTA DE PSICANÁLISE DO RIO DE JANEIRO, VOLUME 1, NÚMERO 1, 1991). SPRJ/SBPRJ – BRASIL, RIO DE JANEIRO, 1991.   
-ABP NOTÍCIAS ANO VIII NÚMERO 24, NOVEMBRO 2004. RIO DE JANEIRO. 
-EDITORIAL: PSICANALÍTICA (VOL. IX, NÚMERO 1, 2008). SPRJ, 2008. 
-ATA SPRJ 13 de julho de 2011 -FEBRAPSI Roster 2011 -FEBRAPSI Roster 2015 -VICTER, R (2014): A CASA (PSICANALÍTICA, VOLUME XV – NÚMERO 1 – 2014). SPRJ – RIO DE JANEIRO, 2014. 
-VICTER, R (2016): ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO (PSICANALÍTICA, VOL. XVII, NÚMERO 1, 2016). SPRJ, 2016. 
-VICTER, R (2017): ALMANAQUE SPRJ (APRESENTAÇÃO EM REUNIÃO CIENTÍFICA DA SPRJ EM 27/06/2017) 

Onde estamos

Na Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, funcionam grupos de estudos (presenciais ou virtuais), com temas e abordagens teóricas distintas. Alguns são abertos somente a membros da SPRJ; outros aceitam também candidatos e membros de sociedades filiadas à Febrapsi; e alguns estão abertos ao público externo.

A seguir, apresentamos cada um deles e, se desejar mais informações, favor enviar um e-mail para sprj.rio1@sprj.org.br.

* Grupo de Estudos de Análise de Criança e Adolescente
Frequência: Nas quartas Sextas-feiras, de 13h às 14h30.
Coordenação: Débora R. Unikowski e Marisa H. Monteiro.

* COWAP – Comitê Mulheres e Psicanálise
Frequência: Nas primeiras Sextas-feiras, de 16h às 17h30.
Coordenação: Mariangela Relvas.
Aberto a Membros Febrapsi.

* Paciente de difícil acesso
Frequência: Nas 1as e 3as Sextas-feiras, de 14h às 15h30.
Coordenação: Mariangela Relvas e Suely Balassiano.
Aberto a Membros SPRJ.

* Diálogos da Atualidade sobre Psicanálise
Frequência: Terças-feiras, de 8h30 às 10h.
Coordenadores: Ronaldo Victer, Daisy Ribas e Marcia Camara.
Aberto a Membros e Candidatos Febrapsi, universitários e profissionais.

* Psicossomática e Psicanálise
Frequência: Quintas-feiras, de 8h30 às 10h.
Coordenadores: Ronaldo Victer, Marcia Camara e Vera Marcia Ramos.
Aberto a Membros e Candidatos Febrapsi, universitários e profissionais.

* Grupo de estudo sobre Preconceitos
Frequência: Nas terceiras Sextas-feiras de cada mês, às 16h.
Coordenadoras: Nádia Franco e Silvia Kossmann.
Aberto a Membros SPRJ e Membros Provisórios Febrapsi.

* Winnicott
Frequência: Nas 2as e 4as Sextas-feiras, de 16h às 17h30.
Coordenação: Eliana Atiê e Olivia Porcaro.

* Pensando a Técnica
Frequência: Nas 1as e 3as Terças-feiras, de 20h45 às 22h.
Coordenação: Rosely Lerner, Dagmar D’Angelo, Débora R. Unikowski e Marisa H. Monteiro.

Aberto a Membros Febrapsi e candidatos que tenham familiaridade com as teorias de Melanie Klein e Wilfred Bion.

Donald Winnicott

Por que Ferenczi tem sido um dos autores mais valorizados nos últimos anos? Quais são suas principais contribuições para a psicanálise contemporânea? Considerado o principal interlocutor de Freud, por que foi vítima, por décadas, do silêncio da morte? Essas e outras questões são estudadas nos seminários do curso de Formação do IEP sobre esse autor conhecido como um especialista de casos considerados inanalisáveis pela psicanálise clássica.

Ferenczi atendia pacientes que apresentavam sofrimentos mais primários e mais graves relacionados às vivências precoces traumáticas que eram encenadas na relação transferencial. Essas impressões sensíveis se apresentavam em estado bruto relacionadas a uma dor sem conteúdo de representação e a uma sensação de desconexão. A grande dificuldade desses pacientes de seguir a regra fundamental da Psicanálise, a associação livre, levou Ferenczi a se voltar para a percepção dos afetos em curso, a valorizar a contratransferência e a pessoa do analista.

Freud se referia a um trauma articulado em dois tempos, sendo o segundo tempo aquele que confere o efeito traumático, mas Ferenczi vai tratar do trauma que congela o tempo e o anula, tornando impossível qualquer elaboração. Nesse caso, o que há é uma impossibilidade de acesso ao simbólico pois, “nada que se assemelhe à morte jamais pode ter sido experimentado” (Ferenczi, 1932).

Confusão de Línguas entre Adultos e Crianças (1933), objeto de discórdia com Freud, é considerado um artigo clássico da Psicanálise que consta no Internacional Psychoanalycal Journal como um dos mais citados nos últimos vinte anos; possuindo mais de trezentas citações. Portanto, o estudo de sua obra se justifica pela importância de suas contribuições à Psicanálise atual no que diz respeito à clínica, aos processos de subjetivação e à política.

O projeto “Mentes da Maré” é uma iniciativa que oferece atendimento gratuito à população da comunidade da Maré, localizada no Rio de Janeiro, Brasil. O objetivo principal desse projeto é oferecer tratamento psicoterápico para os moradores, sem limitação de tempo de duração do tratamento.  

A comunidade da Maré é uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, abrigando uma população significativa muito carente de todo e qualquer serviço de saúde. Uma característica importante desse projeto é que ele não estabelece um tempo de duração para os atendimentos, o que significa que os profissionais envolvidos estão disponíveis para atender às necessidades da comunidade pelo tempo que for necessário. Essa abordagem é fundamental para garantir que todos os indivíduos tenham acesso aos serviços de que precisam, independentemente da complexidade ou da duração do problema enfrentado, permitindo atender às necessidades da comunidade de forma abrangente e efetiva. Essa ação contribui para a melhoria das condições de vida dos moradores e o fortalecimento da comunidade como um todo.

O projeto foi iniciado em 2022 e já atendeu mais de 100 pacientes da Maré. O projeto faz parte do Departamento de Assistência Psicológica (DAP), da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Conta com a participação de dez analistas e membros em Formação da SPRJ, assim como conta com a ajuda de dez colaboradores externos, que trabalham junto conosco para suprir a alta demanda. A coordenação geral do projeto é das psicanalistas Eliana Mello e Tânia Leão Pedrozo. 

Com muita satisfação, a equipe do Projeto Mentes da Maré, do DAP/SPRJ, recebeu premiação (First Prize Winner) da International Pshychoanalytical Association (IPA), na categoria Community and the World Awards, e irá apresentar esse relevante projeto no Congresso da IPA em Lisboa, Portugal, em julho de 2025.

Breve histórico da Revista Psicanalítica

A revista Psicanalítica surgiu da necessidade de promover trocas, ver ideias circulando e permitir que elas chegassem às mãos e às mentes dos analistas da SPRJ, por meio de seu registro em um veículo inicialmente simples e interno.
Em 1980, sob a gestão de Victor Manoel de Andrade, nasceu então o Boletim Científico da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Este boletim cresceu, encontrou espaço na IPA, congregou intercâmbios com analistas de diversas sociedades, apresentou uma versão para a web (1994-1995) e finalmente se tornou a Revista Psicanalítica com versão impressa, em 1998.
Aos interessados em aprofundamento sobre a história da Psicanalítica, recomendamos o artigo de Ronaldo Victer, publicado no volume XVII (2016).
A revista segue com o intuito de oferecer espaço de compartilhamento, reflexão e transmissão, com publicação de temas específicos e livres, resenhas e entrevistas.

Para acessar as normas para submissão de artigos, clique aqui.

Acesse aqui o índice de artigos da última Revista Psicanalítica (2025)

Diante de uma inquietante busca de um papel social mais abrangente para a psicanálise, a psicanalista Christine Nunes idealizou há mais de 6 anos o Projeto “Livros no Tatame”.

Foi um longo percurso na construção de um espaço de responsabilidade social, com a ideia de promover maior acesso à psicanálise, abrindo outras possibilidades de setting. É a leitura acompanhada do olhar e da escuta psicanalíticos, em que toda leitura propicia uma roda de conversa com as crianças falam de suas vivências e sentimentos, conta com a participação é espontânea de crianças e adolescentes, para a leitura de pequenos de livros infantis, crônicas e fábulas, cuidadosamente selecionados. Uma iniciativa reconhecida e apoiada por sociedades psicanalíticas, a Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro – SPRJ – e pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre – SBPdePA -, recebeu um Prêmio IPA na Cultura, no Congresso da IPA/2021- Vancouver.

Hoje com uma equipe de 19 “psileitoras”, estamos presentes em diferentes espaços: academia de jiu-jitsu, espaços culturais no Rio de Janeiro, escolas e associações de moradores, em Porto Alegre e Belém/PA, casas lares e instituições beneficentes em Porto Alegre e São Paulo , sempre num tatame/setting, onde oferecemos um espaço seguro para que as crianças se expressem. Estamos, também. numa Escola Indígena, dentro de uma comunidade Kaingang. Literatura e psicanálise estão lá, resgatando a autoestima e o potencial da cultura indígena e do povo Kaingang.

A psicanálise é uma ferramenta de transformação e a escuta psicanalítica, presente nos encontros de leitura, pode ser um catalisador para mudanças positivas na vida das crianças, ajudando-as a lidar com dificuldades, a construir relações mais saudáveis e a desenvolver sua autonomia. A proposta oferece que o “tatame” possa funcionar como um espaço de escuta analítica, um lugar onde a criança possa se expressar livremente, assim como num setting analítico tradicional.

Livros no Tatame é um portal que se abre para um universo de emoções, onde cada criança é convidada a ser protagonista da sua própria história.

A IPA, através do Comitê Preconceitos Discriminação e Racismo, recomenda e apoia que as Sociedades componentes criem grupos de estudos sobre estes temas.

Atendendo a estas recomendações seguimos representando a SPRJ no Grupo de Estudos sobre racismo e de práticas antirracistas, sob coordenação de Josiane Barbosa, diretora do Departamento Comunidade e Cultura da Febrapsi.

Na SPRJ, iniciamos o Grupo de Estudos sobre Preconceitos, com frequência mensal, aberto a membros e candidatos. Silvia Kossmann é nossa co-cordenadora.

O Núcleo da SPRJ apoia os seguintes Projetos na Comunidade:

1) Projeto Livros no Tatame, criado por Christine Nunes;

2) Projeto da Maré – este sob os auspícios do Departamento de Assistência Psicológica (DAP, a clínica social da SPRJ), sob a coordenação de Eliane Mello, Tânia Pedroso e colaboradores.

Neste ano, o “Livros no Tatame” aconteceu pela primeira vez na sede da nossa Sociedade. Acreditamos na importância de “abrir as portas” da SPRJ para a comunidade, transformando nosso espaço em um ponto de encontro cultural e social. Esta proposta é fruto de uma parceria com líderes comunitários, que se dedicam a projetos sociais voltados para crianças de 5 a 10 anos, e visa promover a democratização da Psicanálise. As crianças são acompanhadas por seus responsáveis, que também são acolhidos.

“Livros no Tatame” oferece um ambiente seguro e acolhedor, onde a leitura e a psicanálise se encontram para proporcionar momentos de reflexão para todos os participantes. A equipe do Rio de Janeiro é formada por Christine Nunes, Rosa Reis, Aline Weber, Anita Peixoto e Camila Reinert.

Texto elaborado por Nádia Franco.

O Núcleo Psicanálise e Arte da SPRJ é voltado para o rico diálogo entre as duas áreas, através de palestras, discussões, exposições, lançamentos de livros e cursos voltados ao público em geral.

Freud foi o primeiro a se interessar em tecer articulações entre psicanálise e arte. Ao longo de sua obra, usou inúmeras referências à arte para enriquecer tanto sua teoria com a compreensão da mesma.

Sófocles, Shakespeare, Goethe, Heinrich Heine, E.T.A. Hoffmann, Dostoiévski, Nietzsche, Rabelais, Cervantes, Montaigne, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rembrandt, Mozart, Wagner entre outros estiveram na mente do Pai da Psicanálise, dialogando com a compreensão da mente humana.

Além disso, podemos pensar nas próprias coleções mantidas por Freud – antiguidades arqueológicas, estatuetas de deuses e figuras mitológicas, reproduções de obras de artes conhecidas, livros raros e edições especiais – como testemunhos do seu apresso pelas artes e pelo diálogo permanente do pensar psicanalítico com outras áreas do saber.

 Freud ressaltou, em diferentes ocasiões, a capacidade intuitiva dos escritores em acessar verdades psíquicas profundas, reconhecendo que eles frequentemente antecipavam descobertas que a psicanálise viria a formalizar.

Na história da Psicanálise, muitos autores se dedicaram a compreender as Artes em suas diferente formas e a criatividade, acrescentando muitas camadas e tecendo diferentes caminhos para o riquíssimo diálogo entre os dois campos. Vale citar que cinema, televisão passaram também a fornecer belas obras para essa troca.

Na SPRJ, essa história também tem muitos capítulos, Portela Nunes, Edna Vilete, Maria Manhães escreveram extensamente sobre o tema. A última costumava ressaltar, a partir de seus estudos da obra machadiana, que Machado de Assis falara de inconsciente alguns anos antes de Freud, no romance Helena. Em seu Fórum de Cinema, Waldemar Zusman e Neílton Dias se debruçaram sobre diversas obras com olhar psicanalítico.

Em 2024, o Núcleo ofereceu o curso Mitologia Greco-Romana: Metamorfoses de Ovídio, com Sandra Regina Guimarães (PUC-Rio). Tivemos o evento “O mito de Narciso” uma conversa entre a historiadora Maria Eduarda Marques e a psicanalista Sonia Moura (SPRJ). Fechamos o ano com “Ismael Nery: Uma conversa, uma exposição”, onde o curador Max Perlingeiro e a psicanalista Eliana Melo falaram sobre a obra do pintor, acompanhados pela exposição de 14 obras de arte, e Olivia Porcaro trouxe a história da sede da SPRJ que pertenceu à poeta Adalgisa Nery, viúva do artista.

Texto elaborado por Olivia Porcaro.

Quem somos:
O Departamento de Atendimento Psicanalítico (DAP) da SPRJ é uma clínica social contemporânea, que tem por objetivo, além da difusão da Psicanálise, tornar possível o acesso ao tratamento psicanalítico para aqueles com limitação financeira.

Como trabalhamos:
O método psicanalítico pressupõe três a quatro sessões semanais de atendimento. O DAP/SPRJ prioriza esse modelo com alta frequência de sessões com valor acessível, havendo um limite máximo de 100 reais, a fim de viabilizar o tratamento psicanalítico.
Há a opção de atendimento na frequência de 01 a 02 sessões na semana – neste caso, a ser combinado com o psicanalista que irá atender o paciente.

Nossa Clínica:

  • Intervenção precoce de bebês
  • Crianças
  • Adolescentes
  • Adultos
  • Idosos
  • Casal
  • Família

Como se inscrever:

Marcar uma entrevista on-line com o DAP, através do WhatsApp (21) 97342-5750. Após essa entrevista, o paciente será encaminhado para o psicanalista que irá  atendê-lo

Projeto Social

O projeto “Mentes da Maré” é uma iniciativa que oferece atendimento gratuito à população da comunidade da Maré, localizada no Rio de Janeiro, Brasil. O objetivo principal desse projeto é oferecer tratamento psicoterápico para os moradores, sem limitação de tempo de duração do tratamento.  

A comunidade da Maré é uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, abrigando uma população significativa muito carente de todo e qualquer serviço de saúde. Uma característica importante desse projeto é que ele não estabelece um tempo de duração para os atendimentos, o que significa que os profissionais envolvidos estão disponíveis para atender às necessidades da comunidade pelo tempo que for necessário. Essa abordagem é fundamental para garantir que todos os indivíduos tenham acesso aos serviços de que precisam, independentemente da complexidade ou da duração do problema enfrentado, permitindo atender às necessidades da comunidade de forma abrangente e efetiva. Essa ação contribui para a melhoria das condições de vida dos moradores e o fortalecimento da comunidade como um todo.

O projeto foi iniciado em 2022 e já atendeu mais de 100 pacientes da Maré. O projeto faz parte do Departamento de Assistência Psicológica (DAP), da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Conta com a participação de dez analistas e membros em Formação da SPRJ, assim como conta com a ajuda de dez colaboradores externos, que trabalham junto conosco para suprir a alta demanda. A coordenação geral do projeto é das psicanalistas Eliana Mello e Tânia Leão Pedrozo. 

Com muita satisfação, a equipe do Projeto Mentes da Maré, do DAP/SPRJ, recebeu premiação (First Prize Winner) da International Pshychoanalytical Association (IPA), na categoria Community and the World Awards, e irá apresentar esse relevante projeto no Congresso da IPA em Lisboa, Portugal, em julho de 2025.

 

Em 1955, durante o 19º Congresso Internacional de Psicanálise em Genebra (Suíça), o Centro de Estudos Psicanalíticos do Rio de Janeiro é aceito como Sociedade Componente da Associação Internacional de Psicanálise, com o nome de SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO. 

A ata de fundação da SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO foi datada em 29 de setembro de 1955 (data comemorativa), constando os seguintes membros fundadores: Diretoria: Presidente de Honra − Dr. Werner Walter Kemper; Presidente – Dr. Fábio Leite Lobo; Secretário – Dr. Gerson Borsoi; Tesoureiro – Dr. Luiz Guimarães Dahlheim. Membros Efetivos: Anna Katrin Kemper, Fábio Leite Lobo, Gerson Borsoi, Inaura Carneiro Leão Vetter, Luiz Guimarães Dahlheim, Noemy da Silveira Rudolfer e Werner Walter Kemper. Membros Associados: Celestino de Maria Prunes, João Marafelli Filho, Zenaira Aranha e Inês Besouchet.

Importante ressaltar o interesse pela Psicanálise despertado nos intelectuais da ex-capital do Brasil, entre as décadas de 1950/60, que teve a produção editorial da tradução direta dos textos originais de Freud, do alemão para o português, as Obras Completas de Freud, pela Editora Delta (Rio de Janeiro). Hoje, são relíquias de Bibliotecas, altamente valorizados pelos estudiosos da Obra de Freud em Língua Portuguesa e são encontrados na BIBLIOTECA WERNER W. KEMPER da SPRJ. Biblioteca esta que possui um dos maiores acervos especializados em Psicanálise do território brasileiro, dispondo de todas as principais revistas internacionais, obras dos autores brasileiros e estrangeiros, além de guardar documentos da memória institucional e da história do movimento psicanalítico do Rio de Janeiro.

A SPRJ, em 1957, criou o Setor de Assistência Psicológica (SAP), algo significativo por sua dimensão clínico-assistencial num trabalho de abrangência social. A sua primeira organização ficou a cargo dos Drs. Werner Kemper, Leão Cabernite, Lysanias Marcelino da Silva e Sara Furquim. A inauguração contou com a presença do, então Ministro da Saúde, Dr. Maurício de Medeiros, de quem se sabia ser entusiasta da psicoterapia, por ter feito em seu livro, “Psicoterapia e suas modalidades”, uma classificação de psicoterapia. O Ministro defendeu a fundação de uma Sociedade Brasileira de Psicoterapia, que conciliasse todas as modalidades de psicoterapias.

A SPRJ patrocinou a implantação de Núcleos Psicanalíticos, que se transformaram em sociedades componentes da IPA – em Porto Alegre: Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre; em Recife, junto com a SBPRJ: Sociedade Psicanalítica do Recife; em Campo Grande: Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul; em Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Psicanálise de Minas Gerais. E, sobretudo, a formação psicanalítica através do seu próprio Instituto de Ensino da Psicanálise (IEP/SPRJ), que conta, até a presente data (2025), com 50 turmas de candidatos.

No ano de 1983, dentro da estrutura societária da SPRJ, houve afluência de alguns psicanalistas, no sentido de formar um Fórum de Debates, objetivando a temática da Ética. Este evoluiu como Grupo Pro-Ética, desmembrando-se, em março de 2002, em Sociedade Provisória Interina da IPA, a Associação Psicanalítica do Estado do Rio de Janeiro. Posteriormente, no ano de 2005, foi reconhecida como Sociedade Componente da IPA: APERJ-Rio 4.

A partir de 2010, algo singular aconteceu no contexto institucional psicanalítico internacional. Através de diálogos preliminares entre psicanalistas da SPRJ e da Associação Psicanalítica Rio-3 (APRIO 3), deu-se a fusão das duas Sociedades Psicanalíticas. Na Assembleia Geral da SPRJ, de 13 de julho de 2011, psicanalistas e candidatos da ex-Associação Psicanalítica Rio-3 passaram a ser Membros da SPRJ, guardando suas qualificações da época.

A FORMAÇÃO DE ANALISTA DE CRIANÇA E ADOLESCENTE faz parte do Instituto de Formação da SPRJ e foi reconhecida pela IPA em 2011.

A partir de 2025 será adotado o PROGRAMA DE FORMAÇÃO INTEGRADA – INTEGRATED TRAINING PROGRAM – ITT. Este novo programa curricular, incentivado pela IPA, oferece seminários, antes pertencentes exclusivamente à Formação de Analista de Criança e Adolescente, desde o início da Formação de Adultos.

Dessa forma, todos os Candidatos podem ser introduzidos à Psicanálise de Criança dentro de uma perspectiva histórica, teórica, técnica e clínica. Abrindo espaço para o estudo de estados primitivos da mente, tema de fundamental importância para todo analista.

Entretanto, para aqueles que desejarem se tornar Analistas de Bebê, Criança e Adolescente, será necessário complementar o Programa Curricular com a Observação da Relação Mãe-Bebê, método Esther Bick, cursar Seminários Específicos de Técnica e Psicopatologia e Seminários Clínicos  durante dois semestres.

Fazem parte da Formação: a realização de duas supervisões de 50 horas cada, com um Analista de Criança e Adolescente da SPRJ, um trabalho teórico a cada semestre e um trabalho final teórico clínico.

Em que consiste o método:
O propósito da observação de bebês através do método Esther Bick é o de acompanhar o desenvolvimento emocional do bebê e refletir sobre sua interação com a mãe e demais cuidadores no ambiente familiar.
Essa metodologia permite que, assim como o observador, a mãe também se beneficie desse olhar sensível para com seu bebê durante o primeiro ano de vida.

Como a observação é realizada:
O observador vai à casa do bebê uma vez por semana durante um ano e permanece durante uma hora. Mantém uma relação cordial e cuidadosa, sem interferências sobre a relação mãe – bebê, respeitando a intimidade e mantendo o sigilo.

Observação da Relação Mãe-Bebê (ORMB):
Atualmente temos dois grupos compostos por analistas em formação e membros da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro sob a coordenação das analistas Débora Regina Unikowski, Marisa Helena Monteiro e Patrícia Mussoi.